LADO 2 ESTÉREO FAZ BOM SHOW, MAS SOFRE COM DESINTERESSE DO PÚBLICO
Mais cedo, mas com um atraso de uma hora, por conta da produção do festival, o Lado 2 Estéreo bem que tentou animar a platéia, mas como entreter indies ansiosos pelo hype? A mistura de guitarras pesadas – o guitarrista Josh S batalhou anos na cena heavy metal de Teresina – com bossas e outras levadas, e até com certa eletrônica [sic], acabou soando como fundo musical para o público. Tanto que, ao anunciar a última música, Josh foi aplaudido.
Além de metal, o duo (é só bateria e guitarra) investe também em trechos de grindcore dos mais esporrentos e velozes, mas alterna esses momentos com levadas menos agressivas. E é isso que eles tentam explorar: a dicotomia entre a bossas e levadas e ritmos mais nervosos. E conseguem, na maioria das vezes. As músicas do novo repertório – que estão no disco “Samba Bloody Samba” – têm muito menos de eletrônico e mais de músicas tocadas, o que concentra o duo mais na música mesmo. Pena que o público não estava muito interessado nesse tipo de novidade.
Marcos Bragatto
Tramavirtual - TIM Festival
Um dos destaques é o Lado 2 Estéreo, do Piauí.
O responsável pela escolha da banda para o festival foi Hermano Vianna, um dos curadores do festival, que se declarou fã do Lado 2 Estéreo. “Esse ano, durante visita a Teresina, ele foi ao nosso estúdio onde acompanhou um ensaio e nos indicou como um dos nomes para o Tim”, conta o guitarrista Josh, direto do Teatro Castro Alves, em Salvador, onde estava montando o espetáculo Self Service, para o qual está fazendo a trilha sonora.
A apresentação acontece no dia 22 de outubro, e o Lado 2 Estéreo é a primeira atração do palco Tim Lab, que recebe na mesma noite o hypado Arcade Fire, do Canadá, e o importante Wilco, um dos principais nomes do country-rock americano. Apesar do tamanho das grandes atrações, Josh diz não conhecer muito as bandas. “Sei mais do Wilco. Arcade Fire ouvi há um tempo, eles são da nova cena canadense. De lá prefiro o Death From Above 1979, Voivod e Blasphemy. Não tenho nenhum disco dessas duas bandas, mas o que ouvi achei legal”.
As referências metaleiras citadas acima não surpreendem quem conhece a história da dupla. Afinal, antes do Lado 2 Estéreo, ambos fizeram parte da banda Monasterium, de doom metal, durante sete anos. Apesar de ter o samba como principal influência na hora de compor atualmente, Josh e Julliano ainda carregam consigo o metal de anos atrás, o que faz do Lado 2 Estéreo uma banda de samba-metal com toques eletrônicos.
Samba Bloody Samba, o segundo disco cheio da banda, foi lançado no início desse ano, mas só agora a dupla está fazendo apresentações para divulgá-lo. “Estamos com shows marcados em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Brasília, Fortaleza e, no final do ano, em Salvador, novamente no Mercado Cultural. Depois do Tim vamos passar um mês baseados no Rio, tentando marcar o maior número possível de shows no sul e sudeste”.
Quanto à apresentação do Tim Festival, a banda diz não ter preparado nenhuma surpresa em especial. “Todo show que fazemos tem uma concentração e preparação parecidas. Já tocamos juntos há mais de 10 anos, então sabemos muito bem o que esperar um do outro”, diz. “O que vamos fazer é apresentar nossa coisa da forma que ela é, sem tentar fazer algo mais”, emenda. Querendo ou não, o Tim é hoje o festival mais importante do Brasil, com uma das maiores vitrines para bandas, principalmente para as menores. Mérito para os independentes e, claro, para o Lado 2 Estéreo [sic].
Flávio Seixlack
Brazilië punt Net
Quando foi a última vez que você ouviu um grupo do Piauí? Pois está na hora de tirar o atraso. O duo de sambapunk Lado 2 Estéreo, formado por Josh S. e Julliano Lima, tem várias faixas dos CDs ‘Samba Bloody Samba’, ‘Liberation’ e ‘Sambaque Torto & Outros Ritmos’ prontas para o download na Trama Virtual e no site da banda, que também traz clipes e gravações de ensaios.
Atualmente com um pé em Amsterdã e outro em Teresina, o Lado 2 Estéreo esbanja atitude ao misturar sem medo música eletrônica, batidas leves e suingadas, com um quê de bossa e lounge, ao ruído pesado das bandas de heavy metal.
Mas não pára por aí. Não é um som que se possa descrever em poucas linhas nem com poucos adjetivos. Eles mesmos, quando citam suas influências listam de Hellhammer a Jackson do Pandeiro, de Crude SS a Monsueto Menezes, de Brutal Truth a Jorge Ben, passando ainda por Roberto Silva e Serge Gainsbourg. As referências podem parecer díspares, mas não para quem mantém ouvidos abertos para o que rola mundo afora. Estes, com certeza vão gostar do resultado desta mistura.
Julliano Lima e Josh S. tocam juntos desde 1993 e durante sete anos fizeram parte da banda de death metal Monasterium, de Teresina. Já o Lado 2 Estéreo teve início em 2001, quando gravaram o MCD ‘Liberation’. Em 2003 veio o CD ‘Sambaque Torto & Outros Ritmos’ – álbum que chamou a atenção da imprensa especializada e rendeu várias críticas elogiosas à dupla – e o mais novo trabalho é ‘Samba Bloody Samba’, lançado em 2005.
Neste último CD Josh e Julliano se concentram apenas na formação de guitarra, voz, bateria e gravador de rolo, sendo que em duas faixas a guitarra é substituída pelo sintetizador, buscando simplicidade e a união entre o som que lhes é mais familiar - pesado e extremo - com os dois primeiros registros, mais voltados para o eletrônico e o samba. Vale conferir.
Mariângela Guimarães
Revista Laboratório Pop - MADA 2004
Das sete bandas novas da noite - o ChicoCorrea já é uma atração, é bom frisar de novo - o Lado 2 Stereo [sic] foi o que mais surpreendeu pela formatação à la White Stripes e pelos arranjos, que tiram do samba suas nuances mais grooveadas. Lançando o disco "Sambaque torto e outros ritmos" (Independente), Josh S (guitarra) e Juliano Lima (bateria) quebraram tudo em 30 minutos de músicas como "Samba de Bem" e "Sambaque torto". Ambos eram de uma banda de death metal, o Monasterium, mas acabaram dando vazão a experimentos que não cabiam naquele projeto no Lado 2 Stereo [sic]. "Tudo da gente parte do samba. Daí processamos do nosso jeito", atestou Josh, cercado de jornalistas do Brasil inteiro após o show.
Josh atraiu mais curiosidade da imprensa, aliás, do que Lulu Santos. (...)"
MTV - Blog
Lanço aqui a enquete: quais foram os 5 melhores shows do Tim Festival esse ano? Bom, embora não tenha visto TUDO como os comparsas Gustavo e Nícolas, assisti a apresentações muito boas.
Então, vamos a elas, classificadas pelo critério de qualidade. Quem quiser debater, fique à vontade.
1-STROKES: eles precisariam voltar no tempo e refazer seus dois discos com menos inspiração para perder o primeiro lugar. Assim, com o repertório que têm, ninguém chega perto.
2-ARCADE FIRE: diluíram ecstasy no ponche da festa de fim de ano da Sociedade dos Poetas Mortos. O resultado é impressionante. Não há banda que se entregue tanto no palco.
3-LADO 2 ESTÉREO: o encontro do Tim Maia com o Tony Iommi. Eu sabia que algum dia alguém ainda ia misturar samba-rock com death metal.
4-WILCO: o Jeff Tweedy é a cara do Roberto Jefferson, mas isso não impede o cara de comandar uma banda bacana, que usa da raiva para interpretar suas canções calmas.
5-BNEGÃO + MARKY: nem sabia que ia rolar essa jam session no hall de entrada. Ótima surpresa.
Daniel Setti
Carta Capital - A Música Fora do Eixo
No Teatro Castro Alves, Vitor Ramil evocava a melancolia, o frio e as milongas do Rio Grande do Sul; em praça aberta, o grupo Lado 2 Estéreo, do Piauí, exibia um híbrido de drum’n’bass, "samba black power" e rock militante anti-discriminação racial e social. No palco, Josh, do Lado 2 Estéreo, provocava os anfitriões: "Mandaram eu colocar a camiseta de volta, porque aqui é a Bahia. Tirei porque lembrei que aqui é a terra de Carla Perez".
Josh tenta resumir o ambiente em que virou artista: "Teresina é uma cidade que vive sob o padrão Globo de sucesso. Não fazemos parte de nenhuma cena que temos que seguir. Uma vantagem que no início era dificuldade é a gente ser de uma cidade improvável. É um estranhamento".
Pedro Alexandre Sanches
Pílula Pop - TIM Festival 2005
O Lado 2 Estéreo não foi convidado para um show, mas para uma pegadinha. Abrir para duas das bandas mais aguardadas do festival já não era fácil. Com um atraso de mais de uma hora, som péssimo, microfone inaudível e um público indie que preza pela atitude blasé, fica quase impossível. Mas em termos de atitude, a dupla piauiense manda melhor do que a parte mal educada das pessoas que assistiu a seu show. Depois de adentrarem o palco sob vaia e detonarem na primeira música, o guitarrista e vocalista Josh S. explica que “foi mal o atraso, tivemos que esperar o Tim Club [palco de jazz] acabar... e obrigado por nos vaiar”. A reação à aparente indiferença foi música, sem se importar com o que – realmente – não importava.
Revezando-se nas cordas e em um sintetizador no meio do palco, Josh foi acompanhado pelo baterista Juliano em uma curta série de canções que – acreditem – misturam heavy metal, hardcore, eletrônico e samba. E – pasmem – é muito bom. Entre sambadas com a levada da bateria e pulos com o headbanger Josh, você entende por que o palco se chama Lab, um espaço para experimentação. Sem entender uma letra do que o vocalista gritava – devido ao som horrível – quem abriu a guarda para os piauienses curtiu algo que lembrava White Stripes, por ser somente bateria e guitarra; Mundo Livre S/A, pelas influências do mangue beat; e Los Hermanos, pelo sambinha de primeira.
A má educação ainda voltaria com o “uhu!” quando eles anunciam a última música. Anotem aí: indie, além de ser blasé, pode ser malcriado. E aproveitando: é só um crítico bambambam da vida dizer que Lado 2 Estéreo é a banda do momento – e isso não deve demorar – e eles vão sair correndo para escutar. E achar doido demais.
Rodrigo Ortega
http://www.pilulapop.com.br/overdose.php?id=46
Dynamite On Line - MADA 2004
O Lado 2 Estéreo, de Teresina, foi o primeiro a oxigenar a platéia com um pouco de criatividade. A banda é, na verdade, um duo, contando com o baterista Julliano Lima e o guitarrista Josh S., conhecido por seu trabalho em grupos de metal extremo como o Monasterium e Insanity. Aqui, além de solos hendrixianos, eles investem numa espécie de samba rock um pouco mais pesado.
Marcos Bragatto
Sobrecarga - MADA 2004
Voltando aos show do Mada, outra banda legal foi o Lado 2 Estéreo. Para que pensa que Piauí limita-se a pobreza, essa dupla mostra um poderio incrível com sua música, despertando interesse para se descobrir as coisas boas que nosso país esconde devido à imposição desgraçada que ainda há dos valores do "Sul maravilha".
Pois bem, Josh S. e Julliano Lima bebem de samba-rock a Kraftwerk e tudo mais como funk e dub para surpreender com a originalidade do som.
Poppycorn
Se antes o lema era tocar com o pedal mais pesado, agora a regra é juntar groove e batuque. O primeiro disco da dupla, "Sambaque Torto e Outros Ritmos", recebeu vários elogios dos poucos que tiveram a oportunidade de conhecer esse trabalho, já que ele foi totalmente bancado pela dupla e, com isso, recebeu uma tiragem muito pequena. Mas a qualidade do disco conseguiu superar a pouca tiragem e fez com que o Lado 2 Estéreo se tornasse "aquela banda que muitos ouviram falar, mas poucos ouviram tocar". Para compensar, a dupla deixou todas as músicas do disco disponíveis para download no site da banda.
Jairo de Souza
Jornal do Rock #10
A boa maré iniciada no Brasil em 2004 instigou algumas apostas.
Lado 2 Estéreo
Era uma vez o Monasterium banda de Death Metal de Teresina, Piauí. Quando os caras começaram a usar bateria eletrônica, os camisas pretas reclamaram. Quando eles conheceram então DJ Dolores e este os levou pelos caminhos do dub e do samba, ai então foi demais para as cabeças cheias de cabelo. Não deu outra: o Monasterium rachou e o guitarra/vocal Josh S. e o batera Julliano Lima decidiram montar outra banda, o Lado 2 Estéreo, que em 2003 lançou Sambaque Torto e Outros Ritmos, disco que une como poucos as guitarras e beats, bossa e funk, pop e experimentalismo. Um passo à frente do mangue beat, so que de bem longe de Recife. Em 2004, depois de alguns shows pelo Sudeste e Sul, a dupla se mandou para Amsterdam, onde gravou parte de seu disco novo, que sai em 2005. Podemos imaginar o que vem por aí.
Silvio Essinger
Revista Zero On Line - MADA Maio de 2004
No palco ao lado, para uma platéia de 1/10 da capacidade do local, a piauiense Lado 2 Estéreo ensinou à Pangaio o que pode ser considerado performático e musical ao mesmo tempo: Josh (guitarra e voz) e Julliano (bateria e percurssão) lembram Sonic Jr. pela formação inusitada. A música é menos eletrônica que a dos alagoanos e por isso mesmo mais crua e menos encorpada. Mas os "sambas tortos" (como eles chamam) encantam ao misturar levadas do ritmo favorito nacional com riffs metaleiros de guitarra. A banda lançou um excelente CD - "Sambaque torto e outros ritmos" - e vem ao Sul maravilha em breve, para, pelo menos no Rio de janeiro, tocar com uma galera de funk do morro. Não é à toa que fizeram uma cover de "The Model" do Kraftwerk...
É não é que este tal de samba torto pegou por aqui? China subiu ao palco com uma das bandas mais afiadas do festival e fez, na minha opinião, o melhor show do MADA junto com Lado 2 Estéreo.
Jornal O Globo Rio Fanzine - 11 de Junho de 2004
Em “Chiclete com banana” Jackson do pandeiro negava a entrada do be bop em seu samba ao mesmo tempo em que trazia o swing dos gringos para o seu terreiro, com seu canto sincopado e cheio de esquinas. Décadas depois, tendo mestres como Jackson como inspiração, a dupla piauiense Lado 2 Estéreo refaz a malandragem, num CD que convida o bitbop da eletrônica para um disco encharcado de samba até no nome: “Sambaque Torto e Outros Ritmos”.
Destaque no festival MADA 2004, realizado em Natal, o Lado 2 Estéreo – Josh S. (guitarra, voz e eletrônica) e Julliano Lima (bateria) – faz música pop, com balanço orgânico e timbres orgânicos e eletrônicos. Josh define bem:
- Usamos a eletrônica como um instrumento, não como uma cultura, um estilo. Não pegamos drum’n’bass e botamos uma rabeca em cima.
Nada contra a rabeca, nem contra o drum’n’bass. Nada contra nada, aliás. Até 1999, a dupla tocava death metal na Monasterium, banda de destaque na cena do Piauí. Resolveram sair para fazer seu trabalho quando, depois de tentarem adicionar uma bateria eletrônica ao grupo, não foram, digamos, compreendidos.
- A platéia toda virou de costas, em protesto – lembra Josh. – Imagina 300 camisetas pretas de costa pra você!
Começava a nascer o Lado 2 Estéreo. Aos poucos o som foi ganhando a cara mostrada em “Sambaque torto e outros ritmos” lançado em 2003. No caminho, encontraram o DJ Dolores, que produziu duas faixas do disco. A produção é de Hubert Souchaud e Josh.
- Chamou a nossa atenção a maneira como Dolores usava a eletrônica, tinha a ver com o que queríamos – conta ele.
No caldo sonoro do Lado 2 Estéreo entra techno alemão, o dub de Lee Perry e Mad Professor, o samba de Monsueto e a ginga de Jackson. Ao vivo, sente-se a forca da herança metal. Eles apontam outras influências:
- A guitarrada, meio funk meio carimbó, de Pinduca (artista de Belém), a guitarra do The Pop’s, os arranjos de Quincy jones, o electro experimental do Pan Sonic, o grindcore inglês de Napalm Death, mais Black Sabbath, Roberto Carlos, funk carioca e muito dub – enumera Josh.
Sobre todos, atravessando a música do Lado 2 Estéreo de cabo a rabo, Jorge Benjor. A homenagem em “Samba de Ben” não deixa dúvidas.
- Não passo um dia sem ouvir Jorge Ben. Queremos a riqueza daquele groove único – diz Josh.
Se no som as pilhas de referências são reduzidas a uma música direta, grooveada, as letras seguem a mesma lógica “menos é mais”.
- Sempre procuramos cortar os excessos. Se você quer dizer alguma coisa, diga de forma clara – resume o vocalista.
Se causar surpresa a novidade sair do improvável Piauí, Josh diz que o estado tem mais a oferecer. Curiosamente, ele aponta outras duplas. O Eletrosilva, que ele classifica como “um New Order com pandeiro e muita guitarra”. E os irmãos brasileiros/colombianos Gómez e Matos, um DJ, outro rabequeiro, que fazem um “trance com samples de ritmos colombianos”. Saudável chegada de mais um sotaque para a música brasileira. O Piauí esta aí.
Leonardo Lichote
Revista Outra Coisa #06
Josh S. e Julliano Lima, companheiros de batalha no campo do metal extremo, vêem do Piauí e embarcam no samba pela via do Fellini e do mundo livre s/a (e de Jorge Ben, portanto) em um projeto chamado Lado 2 Estéreo. Gravam em Teresina e Recife (com ajuda do DJ Dolores) um disco de letras mínimas e mântricas. Um disco de samba de lounge, sambossa psicodélica, eletrônica, cheia de samples e de sambaque torto – “sozinho eu estou/e minhas idiosincrasias” – que simplesmente paira (En Transe) ou levanta altos vôos (El Mono Fonk) dependendo da ocasião. Sambaque Torto e Outros Ritmos é como um daqueles OVNIs que aparecem quando menos se espera: só mesmo vendo/ouvindo para crer.
Silvio Essinger
Revista Lab Pop #01
Sambaque torto e outros ritmos
Nada de forró, maracatu e baião. O Nordeste virou o novo celeiro da música pop eletrônica do país. Após ter dado ao Brasil Sonic Junior (AL), DJ Dolores (PE) e Chico Correa & Electronic Band (PB), agora um duo do Piauí está pronto para tomar de assalto a cena. Josh e Julliano são ex-integrantes de uma banda de death metal chamada Monasterium, de Teresina. Agora com o nome Lado 2 Estéreo, abandonaram as guitarras em fúria para se dedicar às batidas quebradas, poesia abstrata e recriar Jorge Ben. O resultado pode ser conferido no disco de estréia da dupla, que apresenta um samba dub viajante que ora flerta com jazz, ora com bossa nova.
André Cananéa
Samba Godzilla
Espaço Insurgente, Salvador, uma quinta-feira por volta de 21 horas. Éramos dezoito pessoas, incluindo os dois músicos, a bailarina e as pessoas que tomam conta do pequeno espaço anarco-punk muito próximo do pelourinho.
Já sabia o que me aguardava. Conheço os caras faz uns dois anos, são do Piaui. Escutei o Cd, vi um show em São Paulo no Sesc Pompéia durante o Fórum Cultural Mundial e outro no ano passado durante o Mercado Cultural. Gente pelo ladrão escutando, dançando e impressionada com o barulho que podem fazer apenas dois caras sobre o palco. Certa altura do show, que rolava no Largo Quincas Berro D’agua, Josh, o guitarrista, tira a camisa e a organização do show pede para que ele vista a roupa novamente. Ele avisa para a galera que vai atender a ordem da organização, mas logo em seguida se toca: “na terra de Carla Perez estão pedindo pra eu colocar a camisa? Agora que eu vou tirar mesmo”. A galera vibra, principalmente a mulherada.
Umas cervejas a espera do início do show e dos soteropolitanos. Cadê as pessoas para assistir ao show? Ficava imaginando. Os caras avisaram para o pessoal do Espaço Insurgente em cima da hora que queriam fazer o show lá para tentar angariar fundos para as passagens de ônibus até uma cidade do interior onde fariam show.
Três reais o ingresso. Se todos que estavam ali pagaram entrada deu para apurar uns quarenta reais no máximo. Possivelmente menos da metade do valor de uma das passagens que eles precisavam.
Começa o show e o samba rola. Fabinho, amigo de Salvador que descobriu o show dos caras justo naquele único dia em que eu ficaria na cidade, batiza: “esse é o samba godzilla”. Nada mais adequado para descrever o samba que vem do Piauí feito pela bateria e guitarra do Lado 2 Estéreo.
De volta a Fortaleza, depois de duas semanas, Thais me avisa que vai ter show do Lado 2 no Noise 3D. Casa empresarialmente mais organizada que o Espaço Insurgente, mas tão pequena quanto. O show rola mais tarde, uma da manhã. Mais cervejas que antes, mas com uma mesma quantidade de público. Deveria ter umas vinte pessoas, no máximo. Ingresso a dez reais, deve ter rolado então uns cento e cinqüenta a duzentos reais. Não creio que pague uma das passagens do Ceará para o Piaui.
Palco pequeno, o guitarista, o baterista e novamente a bailarina fazendo a performance durante o show. Um amigo brasileiro que mora na França e havia chegado naquele dia se surpreende: “eles são muito bons”.
A felicidade é mesmo para poucos. Somos apenas vinte assistindo a um dos melhores shows de música feitos atualmente no Brasil.
Anotem ai. Quando estiverem passando por alguma cidade que tenha um espaço alternativo pequeno para shows de música e estiver anunciado Lado 2 Estéreo, não perca esta oportunidade, provavelmente a grana da sua entrada vai ajudar a pagar parte da passagem de ônibus de um dos caras.
Glauber Uchôa
http://www.overmundo.com.br/revista/noticia.php?noticia=1284
Revista Trip #120
Os carcarás e headbangers da caatinga vão ter que dormir com um barulho doido. O Lado 2 Estéreo apareceu em Teresina para confundir todo o mundo. Josh S. e Julliano Lima até bem pouco tempo eram integrantes da Monasterium, banda metal. Mas sempre gostaram de eletrônica e batucada. Não teve jeito e deu em Sambaque Torto e Outros Ritmos. Impossível descrever numa resenha pequena como esta. Só um exemplo: a faixa "2 Cafés" tem a batida tortona do DJ inglês Squarepusher, um violão dub-bossa e uma citação ao quadrado de Manuel Bandeira numa letra que só tem dois versos. Precisa mais?
http://revistatrip.uol.com.br/conteudo.php?cat_id=27&materia_id=19565
Hermano Vianna, antropólogo
CARAMUNDO apresenta BENEFIT4BRAZIL
On June 9th another beneficial party will take place in the Pakhuis Wilhelmina in Amsterdam. Caramundo will raise money for a new project of Nação in Rio de Janeiro: the opening of a graffiti-design and audio production school in the favela Sampaio. The money raised, will be used for constructional work and installation of Internet in the favela.
The event will start with the Brazilian documentary “Noticias de uma Guerra Particular” of João Moreira Salles and Kátia Lund. Although the film was shot in 1999, today Rio de Janeiro still suffers from violence similar to Palestinian circumstances. The documentary shows a very realistic and raw view of daily life in Rio de Janeiro, especially for the inhabitants of the favelas. The directors managed to give an insight view in the lives of young gangmembers of drug traffic and soldiers of the military police.
Our special guest for the evening is the electronic experimental oriented duo Lado 2 Estéreo. The duo surprised the Brazilian audience with its crusty samba during a successful tour in Brazil in 2006 and was received with great enthusiasm by respected critics in the Brazilian music scene. Now, Lado 2 Estéreo brings a mixture of electro, samba, punk-rock and experimental electronic sounds with live drum, guitar and voice to the Netherlands. www.lado2estereo.com
What would we be without the always present, unforgettable DJ’s of Rednose Distrikt?! No words can explain. A night isn’t the same without those guys! Check for yourself! www.myspace.com/rednosedistrikt
And last but not at all least, we are glad to receive C.O.N.E. & the Family on stage! The broken and electronic, Brazilian beat of C.O.N.E. with live percussion of The Family makes the party complete. In a special participation Colonel Red (UK) will spit his lyrics on the beats. www.myspace.com/coneaudio
The night will be illustrated by our honourable VJ’s straight from Rotterdam (DA)arom & Iejun! www.mediaontwerpers.nl